
Por Jonas Amaral
O cenário político tocantinense registrou uma reviravolta decisiva na tarde desta sexta-feira, dia 9. Em entrevista coletiva à imprensa, o deputado federal Eli Borges (Republicanos) anunciou publicamente seu rompimento com o grupo liderado pela Professora Dorinha (União Brasil) e declarou apoio oficial à candidatura de Vicentinho Júnior (PSDB) ao Governo do Estado. A manifestação agrega densidade política à corrida pelo Palácio Araguaia, ampliando o diálogo e a musculatura da campanha nesta etapa decisiva.
Rompimento e desfecho político
A decisão de Eli Borges encerra semanas de desgaste interno acumulado durante a campanha de primeiro turno. Relatos de bastidores apontam que, mesmo diante de atritos que fragilizaram a relação com a base governista, o parlamentar manteve sua fidelidade e cumpriu todos os compromissos assumidos. Contudo, após a contagem dos votos, esperava-se um gesto de diálogo e reconciliação. Conforme pessoas próximas, Eli sequer recebeu um telefonema para tratar do distanciamento, expondo a falta de reciprocidade e respeito que culminou no rompimento.

Responsabilidade e liderança pública
Titular de nove mandatos na vida pública e amparado por 271.829 votos na eleição para o Senado Federal, Eli Borges enfatizou a seriedade do momento político e a responsabilidade que carrega junto aos seus eleitores ao escolher um novo caminho. “É uma decisão muito difícil. Para qualquer lado que você puxa, tem alguém lhe questionando, tem alguém lhe cobrando e tem alguém lhe agradecendo. Então, é uma decisão que só toma quem é líder e tem o dever de se posicionar diante dos ciclos que a vida propicia. Então, eu não poderia ser omisso nesse tempo. Eu precisava de tomar uma posição. E eu tinha três lados para ficar agora. O primeiro é onde eu estava, e eu não vim aqui em nenhum momento fazer qualquer registro em detrimento do lado que eu estava. Fui fiel o tempo todo até ao encerramento do primeiro turno. Não fugi ao meu compromisso de me posicionar e me posicionei até ao fim”, afirmou Eli Borges.
Ao comentar o resultado das urnas e sua atual condição política, o parlamentar destacou que, apesar de não ter conquistado a vaga no Senado, continua comprometido com os eleitores que confiaram em seu projeto político. “Resultado das urnas: eu não logrei êxito e, portanto, me tornei um cidadão agora sem mandato, com liberdade de me posicionar como um cidadão, mas que carrega nesta fala minha a responsabilidade de representar duzentos e setenta e um mil oitocentos e vinte e nove irmãos do Tocantins que acreditaram em mim”, salientou Eli Borges
Fé e coerência ideológica
O deputado explicou ainda que sua decisão partidária foi tomada após momentos de profunda reflexão e oração, assegurando que seus princípios conservadores e sua lealdade à direita permanecem inabaláveis. “Depois de insistir em oração, decidi buscar o outro caminho, o 45, onde continuo lutando na trincheira 22 com Flávio Bolsonaro. Pois sou de direita e nada irá mudar minha história nas buscas e defesas”, pontuou Eli Borges.
Na mesma linha, o parlamentar ressaltou a identificação com as propostas voltadas para o desenvolvimento integrado dos municípios e o atendimento às demandas sociais. “Estamos nos unindo a um projeto que escuta as pessoas, dialoga com os anseios do interior e tem a energia necessária para transformar a realidade do nosso povo. O Tocantins precisa de liderança, equilíbrio e responsabilidade para avançar”, enfatizou Eli Borges.

Musculatura no segundo turno
A entrada de Eli Borges reforça expressivamente o palanque de Vicentinho Júnior, que obteve 372.848 votos (43,94%) no primeiro turno, alcançando a disputa final com uma desvantagem de apenas 13.412 votos (1,58%) em relação à líder da disputa. O apoio atrai capilaridade em todas as regiões tocantinenses e mobiliza forças expressivas, incluindo os suplentes Viviane e Solismana, além de seu filho, o vereador da capital Thiago Borges, ambos elogiados pelo alinhamento e clareza de posições.
Discurso de união popular
Durante o evento, Vicentinho Júnior celebrou o alinhamento com a bancada de Eli, rememorou parcerias históricas firmadas por líderes como João Ribeiro e Siqueira Campos em 2010 e destacou que a união ocorreu no momento certo. “Eu tinha que aguardar… nós tínhamos que aguardar passar esse primeiro turno, entender que o Eli tinha que fechar um ciclo aberto na pré-campanha. Eu não tive, talvez da minha parte faltou a competência de ter construído esse apoio num momento lá, em começo de caminhada, mas como diz um bom cristão: tudo no tempo de Deus. E o tempo chegou, e cá estamos num segundo turno providencial, desejado, construído”, comentou Vicentinho Júnior.
Ao finalizar sua manifestação, o candidato do PSDB rechaçou qualquer tentativa de rotulação ou polarização que desvie o debate das reais necessidades da população. “Tentou-se no começo dizer que era a eleição de mulheres contra um. Falei: ‘Quieto com isso, connosco não. Aqui a disputa é no campo das ideias’. Não deu certo, tenta-se hoje segregar a esquerda com direita. Meu amigo, no final, o tocantinense que está dentro do Tocantins quer saber como é que a gente vai resolver os problemas reais do nosso Estado”, destacou Vicentinho Júnior.

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