
Os escritores Zacarias Martins, André Goveia e José Benilson compartilharam suas experiências literárias com os usuários do CAPS
Por Sandra Andreazza
Fotos: Jéssica Ribeiro
Na tarde de terça-feira, 6 de outubro, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II), localizado na Quadra 804 Sul, em Palmas, foi palco de uma ação que uniu arte, educação e bem-estar. Trata-se da execução do projeto de extensão “Fortalecimento do Clube do Livro do CAPS: A literatura como aliada da saúde mental”, uma iniciativa do Curso de Letras da Universidade Aberta do Brasil (UAB/Unitins), polo de Paraíso do Tocantins.
Práticas educativas
Desenvolvido dentro da disciplina Projeto Integrador de Práticas Educativas I, o projeto é coordenado pelos professores Marinalva Rego Barros e Carlos Rocha. A execução da proposta ficou a cargo dos acadêmicos Andréa Luíza Collet, Francisco Ermelindo Faria, Maria Eduarda Silva Araújo e Mike Douglas Dias Santana.
Apoio
A programação do evento, que contou com o apoio do Comitê de Cultura no Tocantins, incluiu uma Oficina de Vivências Literárias ministrada por três nomes de destaque da literatura tocantinense: o escritor e jornalista Zacarias Martins, titular da Academia Tocantinense de Letras (ATL) e assessor de imprensa da regional sul do Comitê de Cultura; o poeta e professor André Goveia, coordenador do polo indígena da Universidade da Maturidade (UMA) em Tocantínia; e o professor e escritor José Benilson, coordenador do Movimento Negro de Filadélfia, no norte do estado.
Doação de livros
Além de compartilharem suas experiências com os usuários, os intelectuais realizaram a doação de livros ao término da atividade. O objetivo da entrega foi estruturar e expandir o acervo do Clube do Livro do CAPS, garantindo a continuidade das leituras.
O papel da extensão
A acadêmica do curso de Letras, Andréa Luíza Collet, informou que o projeto reforça o papel fundamental da extensão universitária em aplicar o conhecimento acadêmico diretamente em benefício da sociedade, promovendo a inclusão social, a saúde mental e o acolhimento por meio do poder das palavras.

O poeta e jornalista Zacarias Martins é titular da Academia Tocantinense de Letras (ATL), e autor de vários livros
Biblioterapia em destaque
Lembrando que a iniciativa buscou utilizar a biblioterapia — o uso terapêutico da leitura — como ferramenta complementar no tratamento psíquico, incentivando o engajamento dos usuários e humanizando o ambiente de cuidado, o escritor Zacarias Martins fez questão de destacar o impacto profundo que o contato com as obras pode gerar:
“A biblioterapia é uma prática de cuidado complementar de grande valor nos Centros de Atenção Psicossocial, pois utiliza os livros e as rodas de conversa literária para promover a expressão emocional, a socialização e a reabilitação psicossocial dos pacientes. Ao se deparar com personagens ou situações parecidas com as suas próprias vivências, o indivíduo sente-se compreendido e menos isolado, o que favorece o alívio emocional”, garantiu Martins.
“Essas rodas de leitura compartilhada criam um ambiente seguro de escuta, troca de experiências e fortalecimento de vínculos entre os usuários, os profissionais e a comunidade. É, acima de tudo, um resgate da cidadania e da inclusão, funcionando como uma ponte de acesso à cultura, à educação e ao conhecimento fora dos padrões tradicionais, humanizando o espaço do CAPS”, asseverou.

O poeta e professor André Goveia também falou sobre a sua produção literária
Além dos livros
O poeta André Goveia também compartilhou sua percepção sobre o encontro, destacando a capacidade regeneradora da poesia no cotidiano dos pacientes:
“A poesia e a literatura têm o poder de alcançar lugares na alma que a medicina tradicional às vezes não toca. Ver o brilho nos olhos dos usuários do CAPS ao ouvirem e recitarem versos reforça que a arte é um remédio vital. O papel do escritor vai além dos livros; nosso dever é usar a palavra como um abraço e uma ferramenta de emancipação social e mental”, afirmou Goveia.

De Filadélfia, no norte do estado, o escritor José Benilson falou sobre a variedade temática em suas obras
Reconstrução da identidade
Em consonância, o escritor José Benilson enfatizou o papel da leitura na reconstrução da identidade e da autoestima dos participantes.
Benilson acredita que trazer a literatura para o ambiente do CAPS é também um ato de valorização da identidade de cada um ali presente.
“A leitura abre janelas para o mundo e portas para o autoconhecimento. Quando proporcionamos esse contato com as histórias e com a nossa própria ancestralidade cultural, estamos devolvendo a essas pessoas a voz e o direito de sonhar, fundamentais para qualquer processo de cura”, pontuou Benilson.

FocoTocantinense Noticias do Estado do Tocantins