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ELIOSMAR VELOSO – Uma vida dedicada à arte, à cultura e à literatura

A trajetória artístico-cultural de Eliosmar Veloso atravessa diferentes linguagens e acompanha importantes momentos da construção cultural de Gurupi e do Tocantins. Teatro, literatura, artesanato, gestão cultural e atividade editorial constituem os principais eixos de uma caminhada de mais de quatro décadas dedicada não apenas à criação artística, mas também à formação de novos talentos, à organização dos artistas, à promoção da leitura e à abertura de espaços para escritores e produtores culturais.

Eliosmar Veloso, nome literário de Eliosmar Ferreira Batista, nasceu em 14 de março de 1962, em Marabá, no Pará. Poeta, escritor, dramaturgo, diretor teatral, artesão, editor e ativista cultural, encontrou nas diferentes formas de expressão artística maneiras de registrar experiências, discutir questões sociais e contribuir para a preservação da memória cultural.

Sua história com a arte, entretanto, começou antes de sua chegada a Gurupi.

Os primeiros passos – Grupo Teatral Bandeirantes

Foi na cidade de Carolina, no Maranhão, que Eliosmar iniciou sua experiência artística, integrando o Grupo Teatral Bandeirantes.

Ali aconteceram seus primeiros contatos efetivos com o palco, a interpretação e o trabalho coletivo proporcionado pelo teatro. A experiência adquirida em Carolina seria determinante para os caminhos que seguiria posteriormente.

O teatro não se tornaria apenas uma atividade passageira. Transformou-se em uma das bases de sua formação artística e permaneceu presente ao longo de toda a sua trajetória, inclusive em sua literatura.

Ao deixar o Maranhão e estabelecer-se em Gurupi, levou consigo essa experiência e, principalmente, o desejo de continuar produzindo cultura.

Gurupi e o nascimento do GRUTAMA

 

No início da década de 1980, Gurupi era uma cidade em crescimento, ainda pertencente ao então norte de Goiás. Foi nesse ambiente que Eliosmar encontrou espaço para dar continuidade à experiência teatral iniciada em Carolina.

Uma de suas primeiras iniciativas foi a criação do GRUTAMA – Grupo Teatral Amazonas, do qual foi fundador e diretor.

Os primeiros ensaios aconteciam à noite, depois das aulas, nas dependências da antiga Escola Estadual Bom Jesus. Eram tempos em que os recursos destinados à produção cultural eram limitados e grande parte do trabalho dependia da criatividade, do esforço coletivo e da disposição dos próprios artistas.

Sob sua direção, o GRUTAMA levou aos palcos diferentes montagens, entre elas A Árvore dos Condenados, Coronel Maribondo, Marcos e seu Ateísmo, A Voz do Além e Perdidos no Caminho, além de outras produções.

O trabalho não ficou restrito aos palcos convencionais. O grupo desenvolveu atividades itinerantes, levando apresentações às escolas de Gurupi e também a municípios vizinhos. Entre essas experiências esteve o espetáculo de características circenses Hoje Tem Marmelada, que tinha entre seus personagens o palhaço Coca-Cola.

Por meio do humor, da linguagem popular e dos elementos circenses, o grupo procurava aproximar o teatro de públicos que nem sempre tinham acesso às apresentações artísticas.

Essa experiência colocou Eliosmar em contato direto com a formação cultural de uma cidade que começava a ampliar suas atividades no teatro, na música, na literatura e em outras manifestações artísticas.

Dramaturgia, direção e compromisso social

Com o passar dos anos, a atividade teatral cresceu. Eliosmar escreveu e dirigiu mais de 30 espetáculos, dedicando atenção especial à comédia, sem abandonar o interesse pelas questões sociais.

O humor presente em muitas de suas produções não era utilizado apenas para provocar o riso. Em diferentes textos, tornou-se instrumento para observar comportamentos, relações humanas e problemas existentes na sociedade.

Como teatrólogo, sua produção chegou a 33 textos teatrais, dos quais dez foram premiados em festivais ou concursos.

Dessa maneira, sua atuação no teatro passou a reunir três atividades complementares: a escrita dramatúrgica, a direção e a formação de atores e grupos.

Festival Despertando a Cultura

A preocupação com a descoberta de novos talentos ganhou uma dimensão especial com a criação do Festival Despertando a Cultura, desenvolvido entre 1983 e 1990.

O projeto realizava dois festivais por ano, normalmente um no início e outro no encerramento do ano letivo.

Mais do que simples apresentações, os festivais funcionavam como espaços de descoberta, formação e incentivo, permitindo que estudantes, escritores e artistas apresentassem seus trabalhos.

A iniciativa contribuiu para o surgimento e a valorização de novos nomes ligados à produção cultural local e regional.

Assim, desde os primeiros anos de sua atuação em Gurupi, uma característica começava a ficar evidente: Eliosmar não pretendia apenas produzir sua própria arte. Buscava também criar oportunidades para que outras pessoas pudessem produzir e apresentar a delas.

O artesanato – outra linguagem artística

A inquietação artística de Eliosmar Veloso não permaneceu limitada ao palco.

O artesanato passou a ocupar espaço importante em sua trajetória, acrescentando outra linguagem ao seu universo criativo.

Se no teatro a criação ganhava forma por meio do ator, da palavra, do cenário e do palco, no artesanato ela passava pelas mãos e pela transformação dos materiais.

Sua participação nessa área ultrapassou a produção individual.

Entre 1993 e 1995, presidiu a Associação dos Artesãos de Gurupi, envolvendo-se diretamente na organização, representação e valorização dos profissionais do setor.

Essa experiência reforçou uma característica que se repetiria posteriormente em outros momentos de sua vida: a passagem da atividade artística individual para a organização coletiva dos produtores de cultura.

A literatura – da palavra falada à palavra impressa

Paralelamente ao teatro e ao artesanato, a literatura consolidou-se como outro importante campo de atuação.

A experiência acumulada nos palcos, a observação da sociedade, as memórias, os sentimentos e a convivência com diferentes ambientes culturais começaram também a encontrar expressão na palavra escrita.

Sua estreia em livro aconteceu em 1986, com O Amor e a Vida, obra de poesias.

A partir daquele primeiro volume, sua produção percorreu diferentes gêneros: poesia, dramaturgia, autobiografia, romance e literatura infantojuvenil.

Ao longo dos anos, publicou:

O Amor e a Vida — 1986, poesias;

Três Vias — 2000, reunião de textos teatrais;

Vestígios — 2004, poesias;

Caminho de Pedras — 2004, obra de caráter autobiográfico;

Janela da Liberdade — 2009, romance;

Terra, Café e Poesia — 2026;

Entre Terras e Correntes — 2026, romance;

Filhos do Sertão — 2026, romance;

Chão de Esperança — Antes do mapa, havia um sonho: a saga de uma família na construção do Tocantins — 2026;

Portais Secretos — 2026, literatura infantojuvenil.

Sua produção literária demonstra também a continuidade de temas relacionados à memória, às relações humanas, à sociedade e às experiências vividas ou observadas ao longo de sua trajetória.

Janela da Liberdade — da literatura de volta ao palco

Entre suas obras, Janela da Liberdade alcançou particular repercussão.

Publicado em 2004, o romance aborda questões relacionadas à condição feminina, ao patriarcalismo e à busca pela liberdade diante de estruturas sociais opressivas.

Em 2016, a obra foi selecionada pela Comissão do Vestibular da UnirG para integrar a relação de livros daquela edição, ampliando sua circulação entre estudantes e levando o romance ao ambiente acadêmico e educacional.

Dez anos depois, em março de 2026, aconteceu algo particularmente simbólico em sua trajetória.

Estudantes do Curso Técnico em Teatro do IFTO – Campus Gurupi apresentaram uma adaptação teatral baseada em Janela da Liberdade. A literatura retornava ao palco.

Aquele escritor que havia começado sua trajetória nas artes cênicas em Carolina e dedicado grande parte da juventude ao teatro viu, décadas depois, uma de suas obras literárias ser transformada novamente em representação teatral.

Era o encontro de dois momentos de uma mesma caminhada: o teatro de suas origens e a literatura de sua maturidade.


 

Obra de Eliosmar Veloso é destaque  em encenação teatral do IFTO, em Gurupi

Estudantes da 2ª série do Curso Técnico em Teatro do Instituto Federal do Tocantins – IFTO/Campus Gurupi, apresentaram um espetáculo  teatral baseado na obra literária “Janela da Liberdade”, do escritor gurupiense Eliosmar Veloso.
 

Gestão cultural e o Centro Cultural Mauro Cunha

A experiência acumulada como artista, produtor e ativista cultural conduziu Eliosmar a outra etapa de sua trajetória: a gestão pública da cultura.

Entre 1997 e 2000, durante a administração do prefeito Tadeu Gonçalves, assumiu funções diretamente relacionadas à política cultural de Gurupi.

Foi responsável pela Coordenadoria de Arte e Cultura da Secretaria Municipal de Educação e administrou o Centro Cultural Mauro Cunha entre 1998 e 2000.

O artista que havia começado reunindo atores para ensaiar em uma escola passou, anos depois, a participar institucionalmente da organização e promoção das atividades culturais do município.

Durante esse período, desenvolveu e apoiou projetos nas áreas de teatro, literatura, artesanato, música, dança contemporânea e jazz, além de cursos, espetáculos e outras atividades de formação.

Sua atuação alcançou também o campo da leitura. Como Coordenador Municipal de Arte e Cultura, participou da revitalização da Biblioteca Pública Municipal Professora Deusina Martins Ribeiro e das bibliotecas da rede municipal de ensino.

O Centro Cultural Mauro Cunha tornou-se um ponto de convergência dessas atividades e de encontro entre diferentes segmentos artísticos.

A experiência reuniu três dimensões que acompanharam sua trajetória: o artista que cria, o produtor que realiza e o gestor que procura criar condições para que outros artistas também possam produzir.

Em reconhecimento a essa atuação, recebeu, em 2000, o Troféu Mauro Cunha de Destaque Cultural, por seu trabalho como ativista cultural.

Presença no cenário literário nacional

Sua atuação literária também ultrapassou os limites de Gurupi e do Tocantins.

Entre 1998 e 2002, participou por cinco anos consecutivos da Antologia Literária Internacional Del’Secchi, no Rio de Janeiro.

Nesse mesmo período, integrou durante cinco anos o Colégio Eleitoral do Prêmio Multicultural Estadão, ligado ao jornal O Estado de S. Paulo, participando de um ambiente nacional de reconhecimento e discussão de iniciativas culturais.

Essas experiências ampliaram o diálogo de sua produção e de sua atuação cultural para além do espaço regional.

Academia Gurupiense de Letras

A experiência acumulada na literatura e na promoção cultural também esteve presente na construção do movimento acadêmico-literário de Gurupi.

Eliosmar Veloso é membro fundador da Academia Gurupiense de Letras – AGL, onde ocupa a Cadeira nº 02.

Foi presidente da instituição por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2009, participando do processo de consolidação da Academia como espaço de reunião, valorização, preservação e divulgação da literatura e da memória cultural gurupiense.

Sua presença na instituição representou a continuidade de um trabalho iniciado muitos anos antes: reunir pessoas em torno da arte e criar espaços para a produção cultural.

O Anuário de Poetas e Escritores do Tocantins

Entre os projetos de maior duração idealizados por Eliosmar Veloso encontra-se o Anuário de Poetas e Escritores, posteriormente ampliado para alcançar escritores de diferentes regiões do estado.

Como idealizador e coordenador do Anuário de Poetas e Escritores do Tocantins, passou a desenvolver um trabalho sistemático de reunião, registro e divulgação da produção literária tocantinense.

O projeto alcançou sua 24ª edição, reunindo escritores de diferentes gerações e oferecendo espaço tanto a autores já conhecidos quanto a novos talentos.

Mais do que uma publicação periódica, o Anuário tornou-se um instrumento de preservação da memória literária.

Ao registrar nomes, textos e produções de escritores espalhados pelo Tocantins, suas páginas ajudam a conservar parte de uma história que, sem iniciativas dessa natureza, poderia permanecer dispersa ou mesmo desaparecer com o passar do tempo.

Da produção literária à atividade editorial

A convivência de décadas com escritores e livros conduziu Eliosmar Veloso a outro campo de atuação: a edição e a publicação de obras literárias.

Desde 1998, atua como editor e diretor da Editora Veloso.

A atividade editorial representou uma continuidade natural de uma trajetória que já reunia literatura, produção cultural e incentivo a autores.

Em vez de trabalhar somente na produção de seus próprios textos, passou também a participar do processo de transformação dos originais de outros escritores em livros publicados.

A Editora Veloso tornou-se, dessa maneira, uma extensão de sua atuação cultural.

O trabalho que havia começado décadas antes nos palcos passou também a manifestar-se na preparação, edição e publicação de livros e na abertura de oportunidades para escritores.

Por meio da atividade editorial, diferentes experiências acumuladas ao longo de sua vida puderam convergir: criação artística, literatura, organização de projetos, formação cultural, memória e incentivo a novos autores.

Atualmente, além da direção da Editora Veloso, coordena projetos como o Anuário de Poetas e Escritores do Tocantins e a Antologia Veloso, mantendo ativa a proposta de divulgação da literatura e valorização dos escritores.


Julho 25, 2011

Veloso organizou e publicou várias edições do Anuário de Poetas e Escritores de Gurupi

Uma vida entre palcos, livros e cultura

Observada em perspectiva, a trajetória artístico-cultural de Eliosmar Veloso apresenta uma característica fundamental: suas atividades nunca estiveram completamente separadas umas das outras.

No Grupo Teatral Bandeirantes, em Carolina, começaram os primeiros passos no teatro.

Em Gurupi, aquela experiência encontrou continuidade no GRUTAMA e em dezenas de textos e espetáculos.

Com o Festival Despertando a Cultura, o artista tornou-se também incentivador de novos talentos.

No artesanato, encontrou outra linguagem de expressão e chegou à presidência da entidade representativa dos artesãos.

Na literatura, tornou-se poeta, dramaturgo, memorialista e romancista.

Na administração do Centro Cultural Mauro Cunha e na Coordenadoria de Arte e Cultura, passou da produção artística à gestão e promoção cultural.

Na Academia Gurupiense de Letras, participou da organização institucional dos escritores.

Com o Anuário de Poetas e Escritores do Tocantins, dedicou-se ao registro e à preservação da memória literária.

E, por meio da Editora Veloso, passou a utilizar a experiência acumulada ao longo de décadas para transformar não apenas seus próprios escritos, mas também os trabalhos de outros autores em livros.

Existe, portanto, um fio condutor percorrendo toda essa história: a cultura.

Começou no palco, passou pelas mãos do artesão, encontrou na literatura outra forma de expressão, chegou à gestão de um espaço público dedicado à cultura, transformou-se em trabalho de preservação e divulgação de escritores e alcançou o universo editorial, no qual a experiência acumulada ao longo dos anos passou a contribuir para que outros autores também pudessem transformar seus escritos em livros.

Vista em conjunto, essa caminhada revela uma característica permanente: Eliosmar Veloso não se limitou a produzir cultura; trabalhou também para criar espaços nos quais outras pessoas pudessem produzi-la.

Do palco improvisado aos livros impressos, dos festivais estudantis à gestão cultural, do artesanato à literatura, sua trajetória encontra-se, em diferentes momentos, com a própria história cultural de Gurupi e do Tocantins.

Mais de quatro décadas depois dos primeiros trabalhos artísticos, permanece atuando no meio cultural e editorial.

O jovem que iniciou sua caminhada nos palcos de Carolina e encontrou em Gurupi o lugar onde desenvolveria grande parte de sua obra continua ligado ao mesmo propósito que atravessou sua trajetória: criar, incentivar, preservar, publicar e compartilhar cultura.

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